Tomando-se como referência as principais bolsas do mundo, os negócios realizados com opções sobre ações no Brasil estão atualmente num patamar muito baixo. Este tipo de operação ficou estigmatizado no país como de alto risco, mais por desconhecimento de causa, do que por qualquer outra coisa. Costuma-se dizer por aí que estes derivativos não mordem, mas podem até matar. Se por um lado o mercado de opções pode ser extremamente danoso para quem se aventura sem o devido conhecimento, por outro, empregando-se estruturas tradicionais, o investidor consegue limitar consideravelmente os riscos envolvidos na posse de uma carteira de ações.
As opções de compra e de venda sobre um ativo servem tanto ao propósito de se montar estratégias especulativas – com controle dos riscos – quanto para pôr-se em prática pura e simplesmente estratégias de proteção – ou hedge – para quem investe em ações. Este é, aliás, o propósito original de todos os instrumentos denominados derivativos, dentro dos quais as opções sobre ações se encaixam. As call e as put são contratos derivativos sobre um ativo subjacente – ações – e suas funções primordiais são compensar eventuais perdas, decorrentes de variações das ações no mercado à vista.
Recordando o beabá de opções, uma opção é o direito e não a obrigação, de comprar (Call) ou vender (Put) uma quantidade específica de um ativo a um preço determinado (preço de exercício), para exercê-lo numa data prefixada ou até a data do exercício ou expiração (prazo de exercício). Para adquirir-se esse direito é pago um preço, comumente chamado de prêmio. Por exemplo: a ação da Petrobras preferencial (PETR4) está sendo negociada no mercado à vista por R$ 27,58. O investidor que acredita na subida do papel, compra 1.000 opções de compra (call), com o preço de exercício R$ 28,00, para o vencimento 20/04/09 – 23 dias corridos (prazo) – pagando R$ 1,44 (prêmio) por opção ou R$ 1.440,00 para ter o direito de comprar 1.000 ações da Petrobras PN por R$ 28,00, em abril.
Se na data de vencimento da opção, a PETR4 estiver valendo R$ 31,20, o comprador da call exerce o seu direito pagando R$ 28.000,00 para o lançador, que é obrigado a entregar a PETR4 por um preço inferior ao praticado no mercado à vista. Assim, diz-se que o risco do lançador ou vendedor – que não possui as ações em carteira – é ilimitado, uma vez que o preço de um ativo pode subir indefinidamente. Em decorrência disto, a corretora exigirá que ele deposite em sua conta uma quantidade de ativos ou dinheiro, que garanta a entrega das ações que ele se compromete a vender, caso o mercado vá contra a sua posição. No exemplo, enquanto o comprador obteve o lucro bruto de R$ 1.760,00 (31.200 – 28.000 – 1.440) ao vender as ações que recebeu no mercado à vista, descontando-se o prêmio pago, o vendedor incorre em perdas de igual valor. Caso a PETR4 fique abaixo de R$ 28,00, a opção “vira pó”, e o comprador das call não faz nada, ou seja, não exerce o seu direito de compra, perdendo o prêmio pago para o lançador (ou vendedor) da opção. O lançador, neste caso, embolsa o valor do prêmio.
No caso citado, para adquirir uma opção de compra (uma call), o investidor necessitou desembolsar apenas R$ 1,44 por ação, o suposto valor do prêmio, totalizando para o lote de 1.000 opções, a quantia de R$1.440 (investimento). Se o investidor desejasse adquirir a ação – o ativo objeto ou subjacente – teria que desembolsar o total de R$ 27.580 (1.000 x 27,58), supondo que a ação estivesse sendo negociada no mercado à vista por R$ 27,58 no momento da transação. Com um investimento muito menor, ele adquiriu o direito de comprar as ações numa data futura, se até esta data a operação se provasse lucrativa. A diferença entre o preço à vista e o preço do prêmio é um tipo de alavancagem. Por causa dela, principalmente, o mercado de opções é considerado tão agressivo. Por causa dela, a fim de se obter resultados satisfatórios, é importante operar sempre com consciência e cautela.
Alessandro Mavignier, superintendente de Home Broker da Corretora Banifinvest, esclarece que entre os investidores brasileiros, principalmente por desconhecimento, o mais praticado em termos de opções ainda são as operações a seco, conforme no exemplo anterior. Nelas, o investidor simplesmente compra ou vende a opção e aguarda para exercer (ou não) o seu direito, ser exercido (ou não), ou ainda liquidar sua posição antes da data do exercício, realizando a operação inversa. Ele enfatiza, porém, que existe uma gama enorme de estruturas clássicas, que podem ser montadas e que são adequadas para condições específicas de mercado e para as reais intenções do aplicador. Estas estruturas têm nomes como trava de alta, trava de baixa, borboleta, condor de compra, financiamento, etc. Elas envolvem operações conjugadas de compra e/ou venda de opções e de seus ativos objetos e exigem, além de alguma percepção do mercado, cálculos para ajuste dos parâmetros e determinação dos potenciais de ganho e de perda (a relação risco/recompensa). Alessandro diz que, com o uso da estrutura apropriada consegue-se evitar, por exemplo, perdas drásticas como as ocorridas durante esta crise, onde muitas pessoas assistiram a seus patrimônios encolherem significantemente em pouquíssimo tempo. De fato, através destas estruturas, é possível limitar-se os riscos do investimento em ações.
Apostando no potencial de crescimento do mercado de opções brasileiro, além da formação de investidores cada vez mais qualificados e exigentes, a Banifinvest irá disponibilizar em sua plataforma on line, uma poderosa e inédita ferramenta a seus clientes, totalmente desenvolvida no Brasil pela empresa Investflex. O software é baseado nas 119 estratégias do livro Mercado de Opções: Conceitos e Estratégias, de Luiz Mauricio da Silva e promete revolucionar o mercado de opções. Conforme explica Alessandro Mavignier, o programa é de extrema simplicidade de manuseio e fornece ao aplicador todos os detalhes de uma operação com opções – desde as mais simples até as mais complexas – mesmo ao mais leigo. Através do Flexscan (nome do software), fica muito fácil buscar estratégias com opções, que são calculadas automaticamente e em tempo real. O software sugere a operação mais adequada à percepção que o aplicador tem do mercado naquele instante, observando as suas necessidades e possibilidades. O Flexscan também esmiúça o potencial de lucro, a perda máxima, os preços de exercício, enfim, fornece de bandeja todos os parâmetros necessários à montagem da estrutura sugerida e todos os possíveis resultados.
Algumas situações em que o aplicador poderá ser inteiramente respondido pela nova ferramenta seriam:
- “Supondo que eu acredite que o mercado para a Petrobras PN (PETR4) será volátil. Quais são as melhores oportunidades de investimento no papel e em suas opções (CALL e PUT), no cenário de volatilidade previsto, que tenham probabilidade de lucro superior a 70% e um retorno maior do que 10%, ordenadas por risco?”;
- “Com base nas condições atuais do mercado, com volatilidade e preço da Vale PN (VALE5), qual é a situação do investimento que eu realizei há três dias atrás com o papel à vista e com suas opções?”
- “O mercado mudou e eu preciso alterar o meu investimento atual. Quais são as estratégias de investimento disponíveis para alterar este investimento, melhorando minhas probabilidades de retorno?”;
- “Quais são as alternativas de proteção para uma carteira de ações, utilizando opções, frente a uma eventual queda do mercado?”.
Outros casos propícios para aplicação de estratégias com opções seriam (exemplos): o investidor que acredita que haverá uma forte subida da VALE5 (Vale do Rio Doce), e não dispondo do valor para a compra à vista do papel, poderia então, com uma pequena quantia, tirar proveito da eventual subida de preço, adquirindo uma opção de compra (Long Call). Se o aplicador acredita que a PETR4 irá cair e possua a ação em carteira, seria válido entrar numa trava de baixa (Bear Call Spread) para proteger seu portfólio contra a suposta desvalorização. Ou ainda, se o investidor tem um portfólio de VALE5, e acredita que o mercado ficará entre “parado” e um pouco altista, ele entraria numa estratégia Borboleta de Compra ou num Condor de Compra (Long Call Butterfly ou Long Call Condor).
De acordo com Alessandro Mavignier, o Flexscan funciona como se fosse um consultor, conversando e instruindo o investidor. Segundo ele, vai ficar muito fácil escolher, montar e executar estratégias elaboradas, que até então requeriam que os cálculos e análises fossem feitos pelo próprio aplicador. Tudo indica que a partir da implantação de ferramentas como esta, e num mercado calejado pelo derretimento dos papéis ocorrido em 2008, a popularização da utilização de opções sobre ações é inexorável. O software estará sendo apresentado ao público na Expomoney, que acontece esta semana em Curitiba e o Banifinvest não é o único que o estará adotando em seu Home Broker. Outra corretora, a Investshop, também já anunciou que disponibilizará a ferramenta a seus clientes. No mundo financeiro globalizado não existe mais espaço para amador. É de suma importância tornar o conhecimento técnico mais acessível ao investidor pessoa física e que ele tenha a capacidade de analisar de forma parametrizada e em tempo real (on line) todas as oportunidades existentes no mercado.
Matéria escrita por Paulo Guimarães para o Jornal do Commercio dia 23/03/2009















